quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Morrer Lentamente

Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.

Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

vicio.

procurando no livro de memórias, recordações sobre minha vida, acabei achando um
caderno onde tudo começou.Melhor dizendo, onde o fim começara.
Começei como qualquer um ai deve ter começado, um baseadinho só, não iria matar ninguém.
E foi nessa roda que acabei por embalar na onda da maconha, que por sinal não sai de moda
nunca.
Era uma loucura, fumar um baseado e tomar todo tipo de bebidas alcólicas, calmantes,
remedios tarja preta.
Mas isso já não me agradava 100%, deixava muitos vestígios, olhos avermelhados, uma louca vontade
de comer, ou uma ressaca do caralho, na manhã seguinte.
A brisa da maconha ou do alcool, não me agradara mais, eu precisava de um UP.
então me mostraram a cocaína, me vício entrou em outro grau, outra loucura, outra brisa.
me viciei nesse pozinho branco que muitos diziam não fazer efeito nenhum, acabei me perdendo
dentro de um mês por causa desse pó.
conseguia sentir a a fraqueza do meu corpo vazio frio e nada de mais.Não sabia ao certo
se estava realmente viva nesses dias, não sabia destinguir o irreal do real.
Eu iria acabar morrendo, mais rapido do que o normal, morreria sem ter vivido metade
de minha vida.
Já não consigo lembrar de quase nenhum momento lúcida.
Certa noite passei mal de tanto que havia cheirado, tentei me arrastar para sala quando
apaguei-me de tudo.Não me recordo de quantos dias fiquei apagada.
Fiquei alguns dias sem o pó.Mas logo me entreguei de volta.
Certa sexta-feira, comprei muita cocaina, e não queria mais esperar.. foram 15..19..
Até que eu me lembre..o nariz sangrava, a morte estava alí, só esperando o ultimo suspiro.
Minha alma foi condenada, e eu nunca mais tive outra chance, de me reerguer.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Com a cabeça a mil, pensamentos indo e vindo.
tentei gritar, mas eles continuam a vir, tentei chorar, mas não havia mais o que cair
de meus olhos, o que me restava era sangrar,estou morrendo de novo, pouco a pouco..
Eu não sei mais destinguir o que é verdade do que é mentira, eu estou afundando de novo,
perdi meu chão, não consigo mais confiar em mim, está tudo tão confuso.
Meu espírito está morrendo em algum lugar frio, até que algo me faça ressucite,
me faça sair deste lugar, antes que eu me desfaça.
Esta noite eu não voltarei para casa, e talvez você perceba,ou até não se pergunte "não
tem nada faltando?", minha ausência não irá fazer falta, eu sei, já me esqueceram neste lugar
há anos, mesmo se eu fose sacrificada, mesmo se eu morresse, eles não tentariam por mim.
O pior ainda está por vir, eu os sinto aqui, estou afundando em sombras de novo, não me sinto como
antes,forte o bastante para mandá-los embora. Eles permanecem aqui, e isso não me deixa mais em paz,
meus medos parecem maiores,minhas feridas parecem não cicatrizar, isso tudo é tão real,
isso acontece já faz tanto tempo que eu já me perdi.
Eles assombram todos os meus sonhos, eu estou limitada a vida que eles deixaram para trás, essa dor
é tão real, suas vozes expulsaram toda a sanidade que existia em mim.
O ar está tão frio e tão calmo, perdi as contas de quantas vezes lágrimas cairam do meu rosto
minhas memórias estão se apagando, de cima daquele edifício fiquei, com os olhos na cidade,o mundo
estava lá embaixo, fora de vista,ouvia meu nome sendo surssurado no silêncio..
As luzes já não me guiam mais, a neve cai lentamente sobre meu corpo, me perdi em dor,
já faz algum tempo que eu venho sonhando com o fim.
Não resta mais nada aqui, eles vão vir nos pegar logo, eu sei, eu sinto.
Perdoe-me por não ter mais forças para continuar, estou tentando achar uma saida, mas
está nevando muito, e eu não consigo mais me mover, minha única saida é pular.A neve está
piorando, eu ouço uma voz dizendo para pular, mas não consigo me mover mais, já não sinto
meus pés, estou sangrando, me arrastando para o parapeito, já não sei quanto tempo de vida
ainda tenho, já não tenho muito mais sangue no corpo, derrepente vejo uma coisa brilhante logo
na minha frente, faço um esforço supremo para chegar até aquele brilho que estava me fascinando
cheguei, e vi aquela Roleta, com apenas uma bala.Mal consigo respirar, está tudo piorando,
já estou ficando da cor da neve, estou tentando lutar com todas as minhas forças,
mas eles são mais fortes do que eu, eles estão me puxando e eu vou cair nos braços deles
até que eles suguem minha alma, e a detruam por completo, mas eu ainda tenho uma única chance
acabar com a minha vida antes que eles o façam.
Senti por segundos mãos queimarem nas minhas pernas, elas me arrastaram até o parapeito, já
não tinha mais chances com eles, eu sabia que era o fim, estou pindurada, mas meu corpo não aguenta
mais, estou desistindo de tudo, vou me soltar e acabar com isso, cai como uma folha cai de uma
árvore, meu corpo ao bater no chão, não resistiu, estou morta.